Entulhos – Vazio Abarrotado foi o primeiro trabalho do grupo, uma mescla de performance e intervenção concebido para o projeto "Improvisões - improvisações intermídias", criado pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte com o objetivo de reunir artistas de diversas áreas para um momento de “improvisação colaborativa”. O grupo, à época formado por Daniel Furtado, Jardel Sander e Antônio Henriques – convidou os artistas Maurício Leonard para criar os cenários/ambiências, Sérgio Geléia para a parte musical, Janaína Starling para os figurinos, e os performers Felipe Carvalho, Ana Gusmão e Patrícia Siqueira para compartilharem a cena.
Entre visitas ao Teatro Marília (onde se daria a performance), discussões e ensaios na Marcenaria, decidiu-se o tema – o lixo urbano, no seu sentido mais amplo – e que ocuparíamos todas as dependências do teatro, criando em cada um dos espaços uma ambiência diferente, numa itinerância que fosse sensorialmente provocativa para a platéia. Assim, foram utilizados sucessivamente a calçada em frente ao teatro, o foyer, a parte do fundo da platéia, o corredor lateral que dá acesso aos fundos do teatro, o pátio nos fundos do mesmo, o porão do teatro (onde se situam os camarins, casa de força, etc), o palco e novamente o foyer. Como textos de apoio, usamos Caio Fernando Abreu (um recorte do conto “Creme de Alface”, do livro Ovelhas Negras), Ítalo Calvino (“As cidades contínuas”, de Cidades Invisíveis) e Fernando Bonassi (um trecho de 100 Histórias colhidas na rua).
A apresentação – única – se deu em Novembro de 2006.







Manifesto o lixo. Pela fresta algo se expressa, como poema sujo, lembrança do beco, bicho no lixo, soberba do luxo. Escrito sobre a deterioração e o excesso, fala que se apropria, toma o tema lixo e o a(trans)borda. No corpo que foge por seus poros, os nós contemporâneos buscam furtar-se à invasão. Pelas imagens, textos, músicas, no movimento improvável se entrevê o possível.
Processo de invasão: o LIXO está em toda parte:
Lixo na arte. Lixo na cultura. Lixo no meu andar, no tempo-ritmo do meu passo, que já é o alheio, já é o ritmo do caos tempo urbanitizado, público sem privado, privado sem privacidade, sem originalidade. Lixo no que eu como, no meu mastigar, no paladar. Lixo no que eu vejo, no meu olhar, na obsessão da imagem, no vaso-latrina-sanitário do tubo de imagem condicionada mercado, mercadoria, mercado, logicamente correta obsessiva, estrategicamente filha do marketing. Lixo no que ouço, invasão compulsão limitação, o som entrando ouvido adentro, dentro, sem pedir licenças ou escusas. O Lixo no que eu penso, lixo das idéias, das perguntas e respostas, lixo das escolhas, dos valores, da vida deteriorada que eu levo. Lixo do espaço, dos cubículos onde se amontoam pessoas, da fuligem e da poeira, do asfalto, do verde que havia e já não há, da terra que havia e hoje asfalto, da brincadeira que havia e hoje tráfico, dos rostos que não conheço, mãos sorrisos que não dou nem aperto. Lixo que carrego, inútil acúmulo embalagens vazias, sacos contendo nada carregando nada, peso pelo mundo afora vida afora fora Lixo.







Fotos de Glênio Campregher

Corpos Subjetivos em Espaços Móveis(Grupo Zona de Interferência)
Local: Centro Cultural da UFMG - Av. Santos Dumont, 174. Centro. BH/MG
11 a 13/09; 18,19 e 20/9; sextas, às 20h, sábados e domingos, às 19h
Informações:(31)3409 - 1090 / (31) 8833 - 1317/ www.zonadeinterferencia.com zdi@zonadeinterferencia.com